26/07/2010        SESCON/SC        0 comentários.

 

Foto: Claudia Mota

Bastidores: Elias Nicoletti Barth foi entrevistado pelo colunista Claudio Loetz na terça-feira, dia 20 de julho. Pena Filho fez as fotos. – Foto: Claudia Mota

A edição do jornal A Notícia, deste domingo, dia 25 de julho, trouxe na página 25 uma entrevista com o presidente do Sescon/SC, Elias Nicoletti Barth, na coluna Livre Mercado, do colunista Claudio Loetz. Entre os assuntos, Elias falou sobre os desafio da profissão, substituição tributária e a Universidade Corporativa Contábil de Santa Catarina (Unicontábil SC).
 
Confira abaixo a entrevista:

LIVRE MERCADO | Claudio Loetz

FALTAM 200 CONTADORES EM JOINVILLE

Em Joinville, faltam 200 contadores, diz o presidente do Sindicato das Empresas Contábeis de Santa Catarina (Sescon-SC), Elias Nicoletti Barth. Há 25.874 empresas informais no município, apontam as contas da instituição. O Sescon cria a universidade corporativa no Estado que inicia atividades no próximo ano. Nova lei obriga o exame de suficiência para quem se formar em ciências contábeis, a exemplo do que acontece com os bacharéis em direito. Ele alerta para a importância de empresas agirem dentro da lei: “A fiscalização da Secretaria da Fazenda do Estado já tem instrumentos e sabe quem está inadimplente”.

Perfil

Elias Nicoletti Barth é nascido em Guabiruba (SC), formado em ciências contábeis e tem especialização em controladoria. Está há quatro anos no comando do Sescon. Foi diretor da Associação de Joinville e Região da Pequena, Micro e Média Empresa (Ajorpeme) por dois anos. Antes, atuou por 15 anos na área financeira e está há 26 anos na atividade contábil.

Atuação

A área de contabilidade está presente em várias frentes, entre elas, a de assessoria de gestão em empresas. Só 20% dos profissionais têm cursos de pós-graduação. As micro e pequenas procuram mais os serviços de gestão financeira.

Empreendedor individual

Em Santa Catarina, há 12.436 microempreendedores legalizados. A expectativa é de se chegar a 25.874. No Estado, estima-se haver 258 mil empreendimentos informais. São os casos de manicures, encanadores, carpinteiros, pedreiros, por exemplo. No Brasil, são 311.124, com projeção de se chegar a 1.033.596 legalizados. O objetivo é trazê-los para a formalidade. A rigor, há um milhão de informais. Na prática, para efeito de cadastro, eles são considerados desempregados. Não aparecem em registro algum. O microempreendedor individual paga um só tributo, de R$ 57,15 por mês. Pode ter um só empregado e deve faturar, no máximo, R$ 36 mil por ano.

Desafio

O principal desafio é o profissional ser valorizado e reconhecido. A partir de 1º de junho de 2015, só os contadores graduados poderão assinar os documentos e demonstrativos. Até lá, os técnicos em contabilidade terão de ser registrados no Conselho Regional de Contabilidade para continuarem a trabalhar. A lei 2249/2010 exige exame de suficiência, regulamentando a fiscalização pelo conselho regional. A lógica passa por flexibilidade maior nas anuidades do CRC e punições mais severas para o exercício indevido da profissão.

Substituição tributária

Este modelo permite a cobrança de impostos na hora em que o produto sai da fábrica. E o comerciante recupera o pagamento antecipado quando vende a mercadoria ou o serviço. Ele está “estocando imposto”. E como a média da base de cálculo de ICMS (presunção de valor cobrado do cliente final) sobre os itens é de 40%, isso representa um problema. Especialmente para as microempresas.

Nota fiscal

A introdução de nota fiscal eletrônica e do sistema SPED fiscal vai facilitar cada vez mais o trabalho da fiscalização de tributos. O trabalho online já permite o controle de estoques mensais de grandes e médias empresas. Isso também deve chegar ao conjunto das companhias menores. Esta circunstância vai forçar que todos se ajustem à legislação. O Brasil caminha para ser um país sério nas relações comerciais e no trato entre as empresas e os governos. E vai aí um alerta: o sistema de tributação estadual já sabe se o comprador está inadimplente.

Universidade

A Universidade Corporativa Contábil de Santa Catarina vai entrar em funcionamento em 2011, com sede em Florianópolis. Terá parceria com instituições de ensino de diferentes regiões do Estado. Vai oferecer cursos regulares e cursos rápidos.

Cursos

É necessário que os cursos melhorem de qualidade. Com certeza, vão surgir mais cursos práticos, não necessariamente vinculados às universidades. Em Joinville e em Florianópolis já há cursos com este foco. Alguns duram de 32 a 80 horas. Um dos problemas mais sérios para as empresas é a dificuldade de encontrar gente habilitada. O custo do treinamento interno nos escritórios de contabilidade é alto. E demora dois anos. Faltam 200 contadores no mercado de Joinville. Há 190 empresas do setor, que empregam 2,2 mil pessoas.

PRAZO

Até dezembro, todas as áreas de atividade econômica sem exceção deverão adotar a nota fiscal eletrônica. Em abril, eram 68 setores enquadrados. Em julho, vão se enquadrar mais 89, e em outubro, outros 47 vão ter de aderir.

GUIAS

As empresas de contabilidade emitem 1.037.310 guias de tributos por mês, em Santa Catarina, onde há 14.232 profissionais registrados no Conselho Regional de Contabilidade. Há 2.922 empresas de contabilidade. Elas atendem a 207.462 clientes. As empresas empregam 16.948 trabalhadores.

FUTURO

O setor contábil vai crescer mais nas áreas de auditoria e consultoria em gestão fiscal. A necessidade de contadores para as pequenas empresas vai aumentar. E também vai crescer a demanda para o setor público.

DIGITAL

Já estão em operação 15 mil certificados digitais no Estado. Com esta tecnologia, que facilita o cotidiano de contadores e clientes, no futuro não será mais necessário fazer alguns serviços burocráticos pessoalmente. Com destaque para aqueles ligados a questões envolvendo a Junta Comercial de Santa Catarina.

Categoria: Notícias

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